A história em si não tem fim, mas começou mais ou menos dessa forma. Doze sorrisos. Doze olhares. Doze essências de sedução me transformaram num guerreiro derrotado há pouco tempo. Um legionário abatido no campo de batalha, com a flecha da conquista cravada em seu peito. Ao frequentar certos lugares e conhecer certas pessoas, me alistei para descobrir mundos diferentes, belezas singulares e um só sentimento.
Maravilhado, admirei jeitos de ser e entendi que eram produtos de uma mistura sublime, diluída em shampoos, perfumes e brilhos labiais. A tabela periódica pouco adiantou porque ainda ignoro os elementos desta composição. O meu conhecimento da matéria termina aqui. No entanto, acredite quando eu digo que foi a Química que me levou até elas.
Abraços e beijos serviram e servem como passaportes eternos para seus territórios. O trajeto até esses bilhetes foi tortuoso. Levei minha criatividade ao limite extremo. Com a pretensão de um alquimista, combinei ambição e perspicácia na medida certa. O simples e o fácil estavam fora de questão. Os desafios colocavam medo, mas justamente esse temor fez com que o triunfo fosse tão gratificante.
Parti, de mochila nas costas, como se fora um cavaleiro zodiacal, destinado a buscar a sua armadura de ouro. Talvez o meu objetivo aqui não fosse tão somente encontrar Atena. A minha saga era outra e envolvia mais de uma deusa. Como no desenho, eu contei com a ajuda da minha constelação para passar pelas doze casas. Não encontrei nelas adversários, e sim paradas obrigatórias da alma. Fui para encantar e acabei encantado.
Cercado de entusiasmo, narrei histórias para agradar as mulheres que entraram de vez na minha vida. Preguei peças, fiz shows de humor, criei personagens, com o propósito de chamar atenção. De início, tais artifícios não funcionaram. Na sala de espera, permaneci refém da escolha que foi e sempre será delas. Nada aconteceria se, no meio do caminho, eu fosse atropelado por um não. Nada eu seria sem o sim.
E o sim, senhores, todos nós sabemos que faz toda a diferença. Faz surgir um universo de possibilidades, onde podemos brincar com o tempo: reduzi-lo para as aulas chatas ou aumentá-lo para os momentos que nos são mais valiosos. O bom de tudo isso é que em minha memória tenho a oportunidade de reuni-las de uma vez só.
Sem que eu seja interrompido por professores carentes de atenção, por compromissos inadiáveis e até pelos namorados indiscretos, que reclamam as suas presenças através dos celulares. Nas entrelinhas, somos nós e mais ninguém. Nomes aqui são desnecessários e insuficientes. Prefiro lembrar de seus rostos, um a um, da forma mais completa e absoluta possível.
A começar pela garota que adquiriu status de obra-prima, graças à genialidade de Jorge Amado. Transformou a sua companhia em obrigação, embora tenha me contrariado, quando resolveu morar nos States. No decorrer do nosso reencontro, matou a saudade e trouxe de volta, em cores vivas, a outra parte do meu Ensino Fundamental, que eu havia perdido durante a 8ª série.
Distraído, na época, eu aprendia que somente meninas de bom gosto usavam bolsas Vitor Hugo. A senhorita da vez me fez ignorar o espelho de classe e voltar para fundo da aula, apenas para bater papo. Com a voz delicada, marcou de tal forma, e quando dei por mim, escrevia cartas para, no futuro, ser surpreendido com valiosos cartões postais.
Já formado, sem rumo, porém no curso certo, recebi a companhia perfeita para dividir as risadas que só o Unificado proporciona. Entre um “colóquio” e outro, descobri que o vestibular mais difícil era o dela. Estudei apenas um assunto e acabei fora da UFRGS, mas com a vaga garantida no coração da moça. Fui taxado de mala e agora carrego comigo traços de uma personalidade irresistível.
O resultado das minhas escolhas reservou a PUC como último destino da minha trajetória. Devidamente matriculado e, de certa forma, indignado pelo valor das mensalidades, fui conhecer o vilarejo chamado Famecos. Diziam ser a morada de fadas comunicativas, feiticeiras criativas e bruxas metidas a promoters.
Em 20 minutos, a “Dinâmica: Comunique-se” me aproximou de duas morenas interessantíssimas. Conforme o jogo, a cor dos olhos me colocou ao lado de Wanylm. Mais tarde, descobri que a mesma tinha o poder de perder coisas e sumir num piscar de olhos. A partir daí, comecei a temer os trabalhos em dupla que o futuro nos reservava.
Do outro lado da sala, troquei palavras com uma pessoa que lembrava a Pocahontas. Optei por colocá-la no meu programa de cotas com o nome de Boo. Nas vezes em que precisei salvá-la, exigi como recompensa os melhores pães de queijo do bar. Na volta para casa, discutíamos a relação e os fatos da semana dentro de um ônibus cuja linha jamais existiu.
Já no segundo semestre, tentei desmistificar a musa da zona sul usando a mitologia grega. Não deu muito certo. Nesta passagem, o mistério ganhou corpo quando imaginei ser o Super Homem sem poderes, enfraquecido por um medo disfarçado de kriptonita.
Recobrei a consciência e as energias através de um pen drive mágico. Um elixir de conhecimento, alegria e carinho. Com a autora dos textos intermináveis, a inspiração foi consagrada como virtude infinita.
Revigorado e surpreendido, aceitei o convite para um projeto completamente gaúcho. Até hoje, quando abro as páginas do EsporTCHÊ!, sinto orgulho da parceria fundamentada neste trabalho. Enfrentamos o azar no instante em que a letra “L” nos afastou do Mestre Leonam.
Encontramos a felicidade acadêmica pelo mesmo orientador e nos dias de celebração nada de champagne ou vinho. “Amigo, para ela uma Smirnoff Ice e para mim uma Coca-Cola, com limão e gelo, por favor.”
Para um suburbano como eu, a formatura não reservou passagens para Austrália, Espanha ou Londres. Então decidi ir mais longe, e nem precisei chegar ao Salgado Filho para isso. Cachoeirinha foi o meu paraíso particular no mais divertido dos finais de semana. Não há razão para risos porque estive ao lado da princesa mais apressada do Sindicato. Talvez a única da corte que desconheça a 3ª Perimetral.
Num mix primoroso entre realidade e arte, descobri que o sorriso perfeito não está apenas na Monalisa de Da Vinci. Já que o assunto é cultura, esqueça também as histórias sobre a Idade Média. A donzela que admiro deve ser protegida de escadas e trajes de mergulho tamanho PP. Essas são tarefas que, infelizmente, já não fazem parte da minha jurisdição.
Sem viajar para o interior, conheci uma menina em três passos. Iniciei com o usual: um convite para jantar num boteco requintado. Percebi a sua simplicidade quando pediu batatas fritas com queijo, uma vez que a fome não era grande.
Ao natural, dançamos salsa, bastando apenas um tajito de mentira para o nosso entrosamento ser elevado à segunda potência. Encerramos a noite com vinho, brindando o sucesso de Bibi e o talento de atores escolhidos a dedo.
Na intenção de finalizar um texto, fui tentado a criar um novo conceito para elegância feminina. Tão preocupado em matar a pauta, esqueci de observar. A resposta veio diretamente de Novo Hamburgo, radiante e, se bem me lembro, dirigindo um Nissan prata.
Conversamos sobre tudo. Porto Alegre, Buenos Aires, Califórnia e encerramos o papo em Paris. Parece mentira, mas tenho a nítida sensação de que ontem encontramos o fruteiro da madrugada.
Entre modelos, advogadas e jornalistas aí estão as divas que aprendi a cultuar. Aos homens que tiveram o prazer de conquistá-las, ofereço os meus respeitos. É a prova cabal de que não sou o único a enxergar nobreza em mulheres supostamente comuns.
Confesso ter começado o post como brincadeira, no intuito de trazer aqui boas lembranças. Agora, enquanto digito, estou esgotado. Mas façamos assim. Vou viver um pouco para, em outra oportunidade, contar mais sobre os anjos da minha vida.