Publicado por: Luiz Felipe | 25/12/2010

Três desejos e mais um

Admito. Não sei como, mas começou. De um jeito tão natural que até alguns romancistas ficariam com dúvidas e talvez descartassem um rascunho tão promissor. É isso que tenho: um rascunho. Não está pronto, é uma obra em construção. Quero, acima de tudo, desvendar, página por página, a espécie de romance que estou desenvolvendo.

Lendo com atenção, percebi que estava diante de algo bom, algo que julguei ser precioso. O coração palpitou. O pensamento foi longe e a criatividade que antes estava em falta, transbordou. Não reconheceu limites. Acho que era assim que o Superman se sentia quando levantava voo, tendo as nuvens como companheiras.

E sem super poderes e sem a capa vermelha, lembro da primeira vez em que comecei a levitar. Ela diz que não, mas trocávamos olhares desde sempre. Eu não tinha pudor algum em fazê-lo. Ainda que não conversasse com ela, parecia que cada encontro no corredor representava um aviso de que a minha fortuna estava próxima.

Sei que perdi tempo demais até o primeiro “oi”. Imaginava situações, ensaiava falas, comentava com os amigos, no entanto, nada acontecia. Graças ao meu grilo falante, a hesitação virou convicção e quando dei por mim estava fingindo um diálogo no celular para abordá-la no momento certo.

Sem pestanejar eu fui atrás dela e, nos minutos seguintes, a coragem se sobressaiu e eu pude passar incólume pelo primeiro frio na barriga. Durante o contato, a meiguice com a qual ela me recebeu foi sublime. O sorriso foi carro-chefe de todos as qualidades que ela apresentou. Ali, naquela parada de ônibus, pude entender o conceito de harmonia, que só a beleza dela soube como me explicar.

A partir daí, fui tomado por um sentimento difícil de ser contido. Naquela altura, a conquista para mim já não era uma hipótese, ganhou ares de dever. Com naturalidade, chegamos a um estágio em que já não havia mais espaço para os pontos de interrogação, somente para os de exclamação.

Nunca pensei que poderia, mas eu, que estava acostumado a construir através de posts capítulos da fantasia, quero me despedir dessa tarefa ingrata. Preciso correr na direção oposta e buscar subsídios para escrever fascículos que estejam próximos da felicidade.

Doce rotina. Com essa menina por perto, imagino que em dias de inverno essa tal felicidade vai me aquecer. Nas noites de verão, ela será a brisa perfeita que vai refrescar a minha alma e me dizer ao pé do ouvido que sou um privilegiado.  

Recordarei os momentos em que cogitei cumprimentá-la porque são essenciais. Memórias que passam pelo primeiro olhar e se estendem até os abraços que marcam os nossos reencontros, conforto ideal do qual não quero me desvencilhar.

Assim, mantenho essas reminiscências caso a saudade invente de aparecer. É um velho artifício, um remédio caseiro, que comprova sua eficácia quando bem utilizado.

Agora, a impressão que tenho é que ela é o sopro de vida que eu precisava, algo que busquei sem sucesso em outros lugares que me proporcionaram nada mais do que aprendizado.

Acredito que ela seja três desejos e mais um: meu tesouro, minha alegria, minha paz e minha segurança. Pedidos que nem o Gênio da lâmpada poderia realizar. Por hora, é tudo que sinto porque a descoberta continua.       


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